Nobel de Economia valoriza expectativas dos agentes
Por diversas vezes afirmei em artigos, palestras e entrevistas que a economia não pode ser explicada exclusivamente pela expectativa dos agentes econômicos, reconhecendo, porém, que elas possuem um peso muito grande para as decisões pessoais, empresariais e governamentais e, por conseguinte, para o próprio desempenho das economias.
Esta foi, em última instância, a mensagem dos responsáveis pela concessão do Prêmio Nobel de Economia de 2026 a dois economistas norte-americanos: Robert E. Hall, professor da Stanford University, e Michael Woodford, professor da Columbia University, duas das mais prestigiadas universidades dos Estados Unidos.
A nota oficial do Nobel afirma que a premiação decorre das suas pesquisas sobre os fundamentos microeconômicos da estabilização macroeconômica.
Já John Hassler, presidente do Comitê do Prêmio de Ciências Econômicas, se pronunciou dizendo que “o trabalho dos laureados nos proporcionou uma base teórica sólida para os modelos que agora são utilizados por bancos centrais e governos de todo o mundo”, reconhecendo a importância de suas contribuições para o estudo de como as políticas monetária e fiscal podem ajudar a estabilizar as oscilações da economia.
Hall dedica suas pesquisas a entender o consumo, o emprego e as oscilações da atividade econômica. Uma de suas contribuições mais conhecidas mostra como as expectativas sobre a renda futura influencia os gastos das famílias. Ao decidir entre comprar e poupar, o consumidor leva em conta também o que espera ganhar adiante − uma relação que ajuda a explicar como mudanças nas perspectivas econômicas afetam o consumo.
Woodford, por sua vez, é uma referência nos estudos sobre o papel das expectativas na política monetária. Seu trabalho ajuda a explicar por que as sinalizações de um banco central sobre os próximos passos dos juros podem influenciar decisões econômicas antes mesmo de uma mudança nas taxas. É o princípio da chamada orientação futura, instrumento utilizado pelas autoridades monetárias para comunicar suas intenções.
Nós, brasileiros, temos tido múltiplas oportunidades para observar a aplicabilidade das contribuições e dos modelos de análise propostos por Hall e Woodford, quer verificando os efeitos negativos de uma política fiscal expansionista na condução de uma política monetária responsável, quer constatando a enorme expectativa do mercado provocada pelas reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom), órgão do Banco Central do Brasil responsável por definir a taxa básica de juros da economia brasileira, a Selic. Tal expectativa é percebida tanto às vésperas de cada reunião, quanto alguns dias após sua realização, por ocasião da divulgação da ata da respectiva reunião, que costuma conter a atualização de conjuntura econômica e do cenário do próprio Copom, os cenários e a análise de risco, a discussão sobre a condução da política monetária e, finalmente, a decisão da política monetária.
No Comment