O Chile e o pêndulo político sul-americano

“Lideranças de diferentes espectros ideológicos têm se tornado mais extremas em suas propostas e perdido a capacidade de diálogo. O Uruguai é exceção − onde direita e esquerda se revezam no poder sem presença de extremos.”

Maurício Santoro

A vitória de José Antonio Kast nas eleições presidenciais no Chile sinaliza que no pêndulo que caracteriza a alternância entre esquerda e direita na América do Sul, a balança pendeu para a direita em 2025.

Embora a maior parte dos cientistas políticos respeitáveis se oponha à divisão entre esquerda e direita para definir as tendências políticas, o fato é que com a acentuada polarização verificada nos últimos anos, essa divisão encontra-se mais viva do que nunca.

Além de conquistar a vitória no Chile, a direita conquistou o poder na Bolívia com a vitória de Rodrigo Paz Pereira e no Peru, com a destituição de Dina Boluarte e sua substituição por José Jeri. Outra importante ocorrência nessa direção foi a vitória do partido La Libertad Avanza (LLA), de Javier Milei, nas eleições legislativas na Argentina por larga margem, num resultado inesperado para analistas e até por simpatizantes do próprio partido.

Assim, a partir de março de 2026, quando se dará a posse de José Antonio Kast, a América do Sul terá seis presidentes de esquerda/centro-esquerda (Luiz Inacio Lula da Silva no Brasil, Gustavo Petro na Colômbia, Yamandú Orsi no Uruguai, Irfaan Ali na Guiana, Jennifer Simons em Suriname e Nicolás Maduro na Venezuela, desde que consiga se manter no poder) e seis de direita/centro-direita (Javier Miei na Argentina, José Antonio Kast no Chile, Santiago Peña no Paraguai, Rodrigo Paz Pereira na Bolívia, José Jeri no Peru e Daniel Noboa no Equador).

Isso aumenta a importância das eleições que ocorrerão em 2026 no Peru (abril), na Colômbia (maio) e no Brasil (outubro). Essas eleições mostrarão se no pêndulo que tem marcado a política sul-americana prevalecerá o equilíbrio entre partidos de esquerda e direita, ou se continuará o avanço da onda conservadora ou se os partidos mais à esquerda conseguirão preservar a maioria observada até o início de 2025.