Por que estudar Economia?

Entre as decisões que os jovens precisam tomar, uma das mais difíceis ocorre na hora de escolher o curso universitário e, por conseguinte, a carreira a seguir. Esse aspecto foi detalhadamente explorado em meu primeiro livro, Como superar os desafios da carreira profissional: antes e após sua escolha, publicado em 2012 pela Trevisan Editora Universitária.

Considerando a proximidade do Dia do Economista − 13 de agosto − focalizo, neste artigo, a opção pelo curso de Economia.

Acompanho, há anos, a redução da procura pelas vagas oferecidas pelos cursos de graduação em Economia no Brasil, fenômeno que, aliás, aconteceu anteriormente também nos Estados Unidos e em diversos países da Europa. Interessante assinalar que o mesmo fenômeno não ocorre em nível de pós-graduação, uma vez que os programas de mestrado e doutorado em Economia encontram-se entre os mais procurados no nosso país.

As explicações para este fenômeno vão da dificuldade do curso em comparação a outros cursos universitários, passam pelo seu viés excessivamente teórico e macroeconômico e chegam à baixa empregabilidade que o curso oferece a quem nele se forma.

Embora possa concordar com as duas primeiras explicações, discordo integralmente da terceira e justifico minha posição com base na extraordinária capacidade de adaptação oferecida pelo curso de Economia,  perceptível tanto no plano da teoria como no da aplicação prática.

Não é qualquer ciência que permite uma utilização tão ampla de seus modelos, o que só é possível pela rígida, abrangente e complexa formação do economista, que combina teoria econômica, métodos quantitativos e formação histórica. Tal amplitude pode ser comprovada por contribuições recentes que utilizam modelos econômicos em diversas áreas, originando expressões como economia do crime, economia da educação, economia dos esportes, economia da saúde, economia comportamental, economia criativa[1], economia solidária etc.

A mesma amplitude registrada no plano teórico verifica-se no plano real, quando se observa o mercado de trabalho e a enorme gama de ocupações que podem ser desempenhadas pelos economistas, fator que ganha relevância se considerarmos a atual tendência que indica crescente descolamento entre profissão e ocupação, aspecto enfatizado por Roberto Macedo no livro Seu diploma sua prancha: como escolher a profissão e surfar no mercado de trabalho. A primeira diz respeito à formação do indivíduo, seja ela obtida num curso superior, seja num curso técnico. A segunda refere-se ao tipo de trabalho que o indivíduo desenvolve, podendo estar relacionado ou não à sua profissão. Tal descolamento é maior em algumas profissões do que em outras, estando a de economista entre as que apresentam maior grau de dispersão, significando que o mesmo pode atuar em um número considerável de ocupações, conferindo-lhe um elevadíssimo grau não apenas de empregabilidade, mas também de trabalhabilidade, de acordo com a oportuna diferenciação apontada por Victor Mirshawka nos três volumes do livro Trabalhabilidade. Empregabilidade e trabalhabilidade indicam a capacidade de uma pessoa gerar renda para si a partir de seus talentos e por toda a vida. A trabalhabilidade ocorre quando uma pessoa se preocupa com o trabalho que ela pode desenvolver, dependentemente ou não, do emprego. Assim, a trabalhabilidade está num patamar superior ao da empregabilidade, que continua sendo muito importante, mas está atrelada à capacidade de ter uma boa colocação durante a carreira profissional. Portanto, enquanto a empregabilidade limita-se ao emprego formal − que passa já há algum tempo por um processo de enfraquecimento −, a trabalhabilidade vai além, englobando também o trabalho informal, as prestações de serviços tipicamente individuais, atividades de consultoria, assessoria, mentoria e coaching, além dos empreendimentos individuais.

Diante desses argumentos, recomendo aos jovens que estão em fase de decisão do que irão fazer no curso universitário para considerarem com bastante carinho a opção pela Economia.

 

 

Referências bibliográficas

BECKER, Gary S. e BECKER, Guity N. The economics of life: from baseball to affirmative action to immigration. Chicago: McGraw-Hill Trade, 1998.

MACEDO. Roberto. Seu diploma, sua prancha: como escolher a profissão e surfar no mercado de trabalho. São Paulo: Saraiva, 1998.

MACHADO, Luiz Alberto. Como enfrentar os desafios da carreira profissional: antes e após sua escolha. São Paulo: Trevisan Editora Universitária, 2012.

_______________ Viagem pela economia. São Paulo: Scriptum Editorial, 2019.

MIRSHAWKA, Victor. Trabalhabilidade: a obrigatoriedade da adaptação. São Paulo: DVS, 2022.

_______________ Trabalhabilidade: a necessidade da agilidade. São Paulo: DVS, 2023.

_______________ Trabalhabilidade: a essencialidade do aperfeiçoamento. São Paulo: DVS, 2023.

 

 

[1] Meu livro Viagem pela economia oferece uma visão detalhada das contribuições de Gary Becker, bem como de economia comportamental e economia criativa.